domingo, 17 de junho de 2012

Estações ‘fantasmas’ da região clamam por socorro


Na cidade de Pederneiras, a antiga estação virou centro cultural e o galpão da ferrovia, teatro com capacidade para abrigar 440 espectadores

A estrada de ferro já foi símbolo de progresso, especialmente nos áureos anos do café. Era através dos trilhos que maior riqueza brasileira chegada aos portos para serem exportados para o mundo. Em cada estação, uma história, recheada de encontros e desencontros promovidos pelos trens de passageiros. Em cada uma delas nascia uma vila, hoje cidade ou distrito.

Com o fim do ciclo do café, a ferrovia perdeu espaço para as estradas rodoviárias e o transporte de mercadorias passou a rodar pelas estradas sem trilhos, asfaltadas. A privatização das ferrovias trouxe uma nova realidade para as estações: o abandono completo. São inúmeras abandonadas em todo o país. Na região, muitas delas clamam por socorro, mas aguardam doações em processos que correm “a passos de tartaruga”.
Pirajuí (58 quilômetros de Bauru) aguarda a doação da estação que está em andamento pela Rede Ferroviária Federal. A prefeitura pretende transformar a antiga estação em um centro cultural. O imóvel está todo destruído. Os vitrôs sem vidros, as portas arrancadas, o piso deteriorado e muita pichação.
Restos de roupas e muito lixo
fazem parte do cenário que beira o macabro. O abandono está nítido para qualquer pessoa que queira ver. Parte do telhado foi destruída por uma locomotiva e até hoje não foi refeito.

Há quatro anos, a prefeitura da cidade solicita o prédio para transformá-lo em um centro cultural, mas o processo de doação está emperrado, explica a coordenadora de comunicação e cultura, Roselaine Sinhorini. “Estamos tentando. Houve várias reuniões com o pessoal da América Latina Logística (ALL) e Rede Ferroviária.”
De acordo com a coordenadora, a Rede Ferroviária Federal está inventariando a estação. “Dependemos da doação. Uma empresa que usou a estação antes da ALL tem que recuperar o telhado destruído por uma locomotiva.”
Em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), o centro cultural já é realidade desde 2008 com o nome de “Izavam Ribeiro Macario”.  A luta para recuperar a antiga estação durou mais de dois anos. A prefeitura foi buscar verbas em Brasília e só conseguiu em 2007.
Segundo a prefeita Ivana Maria Bertolini Camarinha, a restauração da antiga estação foi um resgate da história da cidade. “Todos os detalhes dos mais de dois mil metros quadrados da antiga estação foram levados em conta no momento da elaboração do projeto do centro cultural.”
A restauração da estação teve sequência. Este ano, um galpão da ferrovia foi transformado em teatro e inaugurado com uma apresentação do maestro João Carlos Martins. O teatro municipal, Flávio Razuk recebeu investimentos do município que totalizaram R$ 2 milhões. 
A mesma sorte não tiveram as estações de Avaí, Nogueira e Pirajuí que ainda carecem de projetos que possam resgatar a história de cada uma das comunidades. Em Presidente Alves, a antiga estação acolhe projeto social com crianças de 7 a 14 anos.
Fonte: www.jcnet.com.br

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