terça-feira, 4 de setembro de 2012

Mortalidade cai 31% em 11 anos


Número de crianças mortas antes de completar 1 ano na região de Bauru em 2011 reduziu 8,5% em comparação a 2010

O número de crianças mortas antes de completar um ano é o mais baixo dos últimos 11 anos na região da Diretoria Regional de Saúde (DRS-6) de Bauru composta de 68 cidades. O percentual atingiu 11,3, o menor da década e ligeiramente inferior do à média estadual: 11,6 óbitos por mil nascidos vivos no ano passado. O levantamento é da Fundação Seade junto aos Cartórios de Registro Civil de todo o Estado em parceria com a Secretaria Estadual da Saúde.

O indicador é comparável com ao da Argentina e supera a média brasileira acima de 20 óbitos por mil nascidos vivos. A mortalidade infantil é o principal índice de avaliação da saúde pública, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
No Estado, no entanto, o menor índice são de Barretos e São José do Rio Preto, abaixo de 10 óbitos por mil nascidos vivos percentuais, comparável ao do Chile e Cuba.
A região de Barretos apresentou, em 2011, o menor índice do Estado, com 8,1 óbitos por 1.000 nascidos vivos, seguida pela região de São José do Rio Preto, com 9,1.
Na região de Bauru, o índice de mortalidade infantil em 2000 atingiu 17,99 e 2011 cravou em 11,30. (Veja o quadro abaixo).
De 17 regiões de Saúde no Estado, 12 tiveram, em 2011, redução do índice na comparação com o ano anterior, e 10 atingiram os menores patamares de mortalidade infantil da história.
Já em relação aos valores do ano de 2000, todas as regiões apresentaram redução da mortalidade infantil, com destaque para a queda de 52% na de Barretos, 49% na de Registro, 44% na de Presidente Prudente e 42% na de Marília.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, o aumento do número de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) Neonatal, o aprimoramento da assistência ao parto e à gestante, a ampliação do acesso ao pré-natal, a vacinação em massa de crianças pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e os investimentos estaduais na saúde básica são alguns dos motivos para a queda na taxa de mortalidade infantil no Estado.
Em 2010, o índice no Estado era de 11,8 óbitos por 1.000 crianças nascidas. No ano anterior foram 12,5.  Em 2008, 12,6. Em 2007, 13. Em 2006, 13,2. Em 2005, 13,4. Em 2004, 14,2. Em 2002 a taxa ficou em 15,0 e, em 2001, 16,0.
O pior desempenho é a Baixada Santista com número próximo de 17 óbitos por mil  nascidos vivos

Números da região
O município de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) registrou no ano passado 8,7 óbitos de crianças menores de um ano por grupo de 1000 nascidas vivas, mas na média dos últimos cinco anos o indicador fechou em 11,5.
O índice mostra também que naquele município vem caindo os números numa análise comparativa de 2007 a 2011.
A secretária municipal de Saúde de Botucatu, Tânia Cacia Gasparelo, diz que o sinal de alerta ocorreu em 2008 quando o índice saltou para 14,5. A partir disso foi implantado programas de assistência com visita domiciliar já na primeira semana das famílias dos recém-nascidos.
Segundo ela, também o Programa de Estratégia de Saúde da Família aumentou de 10 para 15 as equipes de médico em tempo integral nas unidades com auxiliares de enfermagem e administrativo focando sempre  em área não superior a 3.500 habitantes. “Isso melhorou a assistência médica de saúde com reforço de agentes comunitários”, explica.
A secretária diz que a meta é chegar a índice de países desenvolvidos de 7 óbitos por 1000 nascidos vivos.
A cidade de Jaú teve índice acima da média estadual: 12,1 de óbitos por mil nascidos vivos. No ano passado, o indicado superou 2010: 12,1 contra 11,3, mas a maior queda foi em 2008 com 10,3.
Dos 645 municípios paulistas, 322 apresentaram em 2011 índices de mortalidade infantil inferior a dois dígitos, comparável a países desenvolvidos. Nenhuma região do Estado apresentou índice superior a 16,8. Quanto menor é a taxa de mortalidade infantil, mais difícil conseguir reduzi-la ainda mais. “A queda no número de mortes infantis é o principal indicador de que as políticas públicas de saúde estão sendo bem executadas. Essa redução só é possível com muito trabalho e com as parcerias entre as demais esferas do Sistema Único de Saúde (SUS), que devem ser constantes”, afirma Giovanni Guido Cerri, secretário de Estado da Saúde.
Na região de Bauru, Agudos obteve 11,2; Arealva, 25,3; Barra Bonita, 7,9 (18,5 é a média de 2007 a 2011 e, em 2010, o indicador atingiu 22,2, mostrando oscilação); Bauru, 10,7; Brotas, 23,6; Cabrália Paulista, 35,1; Cafelândia, 26,8; Dois Córregos, 21,5 (em 2010 registrou 9,8); entre outras cidades.

Causas de morte
As causas perinatais, aquelas relacionadas a problemas na gravidez, no parto ou no nascimento, representaram 57% das mortes infantis. No entanto, esse índice caiu 30% desde o ano de 2000, passando de 9,7 para 6,6 mortes por 1.000 nascidos vivos no período analisado, o que revela o aperfeiçoamento da assistência pré-natal.  Entre 2000 e 2011 as mortes infantis por malformações congênitas foram as que apresentaram menor diminuição das taxas, de apenas 11%, passando de 2,8 para 2,5 óbitos por mil nascidos vivos.
Já as doenças do aparelho respiratório e infecciosas e parasitárias tem peso relativamente pequeno como causas de morte dos menores de um ano. Em 2011, estes tipos de patologias foram responsáveis por 5,6% e 4,4% das mortes, respectivamente.
O médico José Kleber Kobol Machado, professor de Pediatria da Faculdade de Medicina do ABC e diretor técnico do Hospital Municipal Universitário de São Bernardo do Campo, destaca que grande parcela da mortalidade infantil ocorre nos primeiros 28 dias de vida. Em 2011, 68,1% dos óbitos ocorreram nesse período e 50%, na primeira semana.
“Grande parte desses óbitos é de bebês prematuros que acabam com infecções ou outros problemas graves”, diz Machado. Segundo ele, é preciso melhorar o atendimento pré-natal em algumas regiões. “Muitas vezes, a gestante não consegue um retorno no posto de saúde quando tem algum problema fora das datas pré-agendadas. Aí acaba desencadeando um parto prematuro.”
Fonte: www.jcnet.com.br

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