quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Fumantes enfrentam espera por tratamento


Faltam vagas no serviço da rede municipal para o combate ao tabagismo; programa será ampliado


Malavolta Jr.
Sandra Lima coordena o Serviço de Orientação e Prevenção ao Câncer, que será ampliado
O número de pessoas que almejam largar o cigarro aumenta mês a mês na cidade, mas as vagas para tratamento são poucas. Nos últimos três meses, 55 fumantes procuraram o tratamento gratuito oferecido pela Secretaria Municipal de Saúde para o abandono ao vício, mas somente 25 conseguiram a assistência.
As informações foram confirmadas ao JC pelo órgão que presta o atendimento em Bauru, chamado de Serviço de Orientação e Prevenção ao Câncer (SOPC), para marcar a data de hoje: Dia Nacional de Combate ao Fumo.
Realizado há dois anos no município, o programa do SOPC para o combate ao fumo atende, a cada três meses, um grupo de 25 pessoas. No total, ao menos 100 fumantes seriam beneficiados por ano pelo tratamento ofertado.
O último começou no mês de julho e terminará no início de setembro, quando serão disponibilizadas mais 25 vagas. O atendimento oferecido pela unidade seria o único em específico da rede municipal para o combate ao tabagismo.
Neste mês, 30 pessoas aguardam na lista de espera do SOPC na expectativa de conseguir ajuda para parar de fumar.
De acordo com a coordenadora do programa antitabaco do SOPC, a homeopata Sandra Mara de Oliveira Lima, a demanda decorre do próprio “sucesso” do tratamento. Do total de participantes, ao menos 80% conquistariam a independência ao vício.
O trabalho consiste no controle do tabagismo por meio do combate da dependência psicológica, da dependência química e do condicionamento do fumante com a prática, que se torna rotineira e se associa com situações ao longo dos anos.
“Se a pessoa souber lidar com as dificuldades dos primeiros dias, irá conseguir enfrentar as crises de abstinência, que diminuem durante o tratamento”, considera a médica.  “Por isso, não podemos deixar que o momento de decisão do fumante fique distante ao atendimento”, completa a médica afirmando sobre a intenção do órgão, que funciona em parceria com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), em ampliar o serviço junto à rede.

Demanda alta
Questionada quanto à oferta e a demanda, a Secretaria Municipal de Saúde informa que há um estudo em andamento para ampliação do atendimento do programa de tratamento contra o fumo, desenvolvido pelo Serviço de Orientação e Prevenção ao Câncer, entretanto, sem previsão para a implantação.
Considerada uma droga poderosa, a nicotina atua no sistema nervoso central assim como a cocaína, com uma diferença: chega ao cérebro em apenas 7 segundos - 2 a 4 segundos mais rápido que a cocaína.
Sem a presença da nicotina no organismo, alguns fumantes apresentam sintomas como a fissura, dores de cabeça, náusea, irritabilidade, tosse, indisposição gástrica e alteração de sono. Em alguns casos, Sandra explica que é comum o pretendente ter um ganho de peso de até dois quilos.

  • Serviço

Pessoas que pretendem largar o vício podem procurar pelo ambulatório do Serviço de Orientação e Prevenção do Câncer (SOPC) que fica na rua Manoel Bento Cruz, 11-26, Centro, Bauru. Mais informações podem ser obtidas por meio do telefone (14) 3218-9086.

30 vezes ao dia
De acordo com Sandra Mara de Oliveira Lima, coordenadora do programa antitabaco do Serviço de Orientação e Prevenção ao Câncer (SOPC), a vontade de fumar gerada pela abstinência dura apenas alguns minutos, mas pode acontecer até 30 vezes ao dia no início do tratamento.
Algumas dicas simples como a substituição do cigarro por outras tarefas, como exemplo, chupar gelo, escovar os dentes, beber água gelada ou comer uma fruta, podem auxiliar no tratamento.
Lembrando que é importante que o pretendente mantenha suas mãos ocupas com objetos, elásticos, pedaços de papel para rabiscar e etc.
“O ideal é que o fumante que pretende largar o vício converse com amigos, relembre as dificuldades que passou, faça alongamentos em diversas vezes ao dia, respire profundamente e não fique parado”, frisa a médica.

Custos
Em pleno Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado hoje, o JC apurou em algumas farmácias da cidade o preço para o tratamento da dependência química da droga. Um dos remédios mais utilizados pelos fumantes no combate ao tabagismo seria o composto de Tartarato de Vareniclina, que custa cerca de R$ 1 mil e ajudaria tanto na sensação de saciedade quanto no reforço positivo da química no organismo do fumante.
Este, e outros métodos mais baratos como o uso de adesivos e pastilhas, que custam cerca de R$ 50,00 são recomendados por médicos apenas como amuletos para tratamentos que trabalhem o condicionamento e o psicológico dos pretendentes.
“O simples fato de usar uma medicação não adianta em nada se o paciente não possuir força de vontade e motivação para largar o cigarro”, finaliza homeopata Sandra Mara de Oliveira Lima.
Fonte: www.jcnet.com.br

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